domingo, 11 de julho de 2010

O caminho

"A vida é repleta de escolhas. Temos o direito de ir e vir, de comermos o que quisermos, de dançarmos da maneira que acharmos melhor, de nos vestirmos como bem entendermos. Aos nostálgicos de plantão resta-lhes invejar a liberdade do século XXI.
Durante a ditadura militar brasileira, nossos pais e avós queriam muito, mas podiam pouco. Os caçadores a serviço dos governos pós o AI-5 rodeavam tentando devorar seus opositores. O Ato Institucional Número Cinco, mais conhecido com AI-5, foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar nos anos seguinte ao Golpe de 1964 no Brasil. Resumindo, o AI-5 foi uma distribuição de proibições. Seus militantes, os cães da ditadura, amordaçaram aqueles que estavam à toa na vida querendo ver a banda passar, coibiram os que tinham versos bonitos nos lábios, assassinaram os cristãos libertários. O demônio calou o Brasil. Entretanto revoltas vieram, a Tropicália compôs e milhões marcharam contra a ditadura. O Brasil libertou-se e pôde escolher. Vencemos a guerra contra a ditadura.
Contudo a liberdade tem seu paradoxo cruel, ou seja, a própria liberdade pode nos aprisionar. As escolhas são muitas. Os caminhos são diversos. Em um momento paramos, pensamos e prosseguimos. Agora com tanta liberdade de escolha, paira a dúvida: qual caminho se deve seguir?
Segundo as Sagradas Escrituras existem pistas para escolhermos o caminho ideal: o mais difícil. Mas por que Deus quer nos ver num caminho estreito? Porque só os bobalhões hedonistas querem a facilidade. Viver à procura do mais espaçoso é por muitas vezes a degradação da humanidade. O mundo é desumano porque buscamos o nosso querer sem nos preocuparmos com a conseqüência que traremos ao outro. Devastamos florestas para implantarmos nossas fábricas, mas esquecemos que os nossos filhos e netos estarão mais interessados nas florestas do que nas fábricas. O caminho largo é mentiroso, pois nos promete espaço, mas economiza bondade.
Como é fácil a ilegalidade do caminho largo: entramos em um banco, rendemos todos e saqueamos as riquezas alheias. Ou então damos os nossos preciosos votos ao político mais eloqüente que usa de suas artimanhas para nos enganar. Sim! O caminho é largo. O largo é desigual, é do injusto, é do egoísta.
Como é difícil escolher o caminho estreito: dividir nossos bens com os que precisam. Dar o braço ao mais fraco. Acusar os fariseus que ainda vivem!
Jesus propôs o mais complicado, ou seja, sugeriu batermos na porta do amor-serviço. O amor que liberta o próximo dos seus grilhões. O amor que ajuda ao que nunca teve espaço a se acomodar espremido ao nosso lado."


Texto de
Pr.Vitor Jardim

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